MPEs são responsáveis por gerar 60% dos empregos no Estado.

A felicidade no rosto do casal Lúcia Regina Pillo Gonçalves, 58, e Alcemir Gonçalves de Carvalho, 59, vem do sucesso da empresa de roupas de praia montada há cinco anos, em Viana. No início, eram apenas os dois trabalhando. Hoje, eles empregam outras 10 pessoas e buscam mais duas costureiras para aumentar o quadro de funcionários e atender à demanda.

A fábrica de roupas da Lúcia e do Alcemir é apenas uma das quase 100 mil micro e pequenas empresas (MPE) do Estado, responsáveis pela geração de 60% dos empregos. Em setembro, elas empregaram quase 1,2 mil capixabas.

A pedido de A GAZETA, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) levantou as 10 áreas das MPEs que mais empregam no Estado. No topo da lista, está o setor de comércio varejista de artigos de vestuário e acessórios. É esse segmento que as roupas produzidas em Viana ajudam a movimentar. Os biquínis e maiôs vão para Guarapari, onde são vendidos nas duas lojas de Arthur de Souza Louback, de 34 anos.

O microempresário também está em busca de mais pessoas para trabalhar vendendo as peças. “Comecei há oito anos trabalhando com roupas de praia. Hoje, emprego nas minhas duas lojas 18 pessoas e pretendo aumentar esse número”, conta.

O comércio de roupas e acessórios gerou, em outubro, quase 500 novas vagas. Segundo o presidente da Federação do Comércio e Bens de Serviço (Fecomércio), José Lino Sepulcri, o setor deve empregar mais 4 mil trabalhadores até o final de dezembro. “A principal ferramenta de sustento da economia do Estado vem do comércio, por isso temos um volume tão intenso de contratações”, afirma.

As MPEs são responsáveis por 28% do Produto Interno Bruto (PIB) do Espírito Santo. Em segundo lugar, no ranking das MPEs que mais empregam no Estado, estão os restaurantes e similares, seguidos pela construção de edifícios, transporte rodoviário de carga e aparelhamento de placas e execução de trabalhos com rochas ornamentais.

“O empreendedorismo tem sido uma alternativa para se recuperar da crise e continuar obtendo renda. No caso dos pequenos negócios, é visível a importância desses empresários para a geração de emprego e renda”, destaca José Eugênio Vieira, superintendente do Sebrae.

Foto: Ilustração/A Gazeta

MAIS DE 50 MIL POSTOS ABERTOS

Pelo sexto mês consecutivo, os pequenos negócios sustentaram a geração de empregos formais no país. Foram abertos mais de 51,2 mil novos postos de trabalho só em setembro. Enquanto isso, as médias e grandes empresas fecharam mais de 16,1 mil vagas.

De acordo com os dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), no Estado, as pequenas empresas geram 30,9% das novas vagas e as microempresas, 28,8%. Já as médias e grandes empresas foram responsáveis por 27,3% e 13,1%, respectivamente.

Para o economista e presidente do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon), Victor Toscano, as empresas de pequeno porte contribuem para que o efeito da crise seja menor no processo de perda de empregos. “Sem elas, o índice de desemprego seria muito alto. Algumas das pessoas demitidas montaram seu próprio negócio e isso ajuda a economia e a diminuir o índice do desempregados”, opina.

Já o diretor-presidente da Agência de Desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas e do Empreendedorismo (Aderes), Edilson Rodes, enfatiza que as micro e pequenas empresas (MPEs) também contribuem para o crescimento e fortalecimento das médias e grandes empresas. “As MPEs hoje se tornaram um fator de sustentação da economia do país, gerando postos de trabalho”.

Não é preciso muito investimento para ser um empreendedor. Segundo o diretor-técnico do Sebrae, Benildo Denadai, é possível abrir um micronegócio com apenas R$ 100. “Como exemplo, temos as pessoas que vendem doces. Elas investem o dinheiro do lucro em mais mercadoria e vão ampliando o negócio”.

Foi dessa forma que a microempresária Andrea Santos, de 36 anos, começou seu negócio em 2013. Com pouco dinheiro, deu início à produção de cupcakes para vender na faculdade. Hoje, ela é proprietária de uma pâtisserie, emprega dez pessoas e quer contratar mais seis: quatro para atender os clientes, um auxiliar de chapeiro e um de panificação. “Quero uma equipe que queira sonhar comigo, se divertir e fazer do ato de servir algo grandioso”.

Para abrir um negócio, de acordo com a presidente da Junta Comercial do Estado do Espírito Santo (Jucees), Leticia Serrão, o processo é simples. “É feito dentro do site da Junta Comercial, que detalha o passo a passo para abertura de todos os tipos de empresa”.

O empreendedor solicita um pedido de viabilidade da empresa no site da Jucees, depois preenche o requerimento eletrônico e o próprio site já gera um contrato. A pessoa protocola os documento na Jucees e em três dias já obtém o registro.

QUEM MAIS EMPREGA NO ESTADO

Restaurantes e similares

O segmento do setor de serviços emprega atendentes, garçons, administradores, cozinheiros, entre outros profissionais.

Comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios

O comércio apresenta o maior número de empregos. São atendentes, vendedores, auxiliares de serviços gerais, e outras funções nessa atividade.

Transporte rodoviário de carga

Com exceção do transporte de produtos perigosos e mudanças, o transporte rodoviário de carga gera emprego, principalmente, para motoristas.

Construção de edifícios

A construção de edifícios faz parte das atividades industriais. Emprega engenheiros, arquitetos, mestres de obras, pintores, pedreiros, serventes, eletricistas, encanadores, entre outros trabalhadores.

Aparelhamento de placas e execução de trabalhos com rochas ornamentais

Nessa atividade, profissionais que trabalham com mármore, granito, ardósia e outras pedras ganham destaque.

Atividades de contabilidade

As pequenas empresas de contabilidade acabam sendo essenciais para atender à demanda das MPEs.

Confecção de peças do vestuário

Com exceção das roupas íntimas e as confeccionadas sob medida, essa atividade precisa essencialmente de costureiras.

Lanchonetes, casas de chá, de sucos e similares

Garçons, cozinheiros, atendentes, administradores e auxiliares de serviços gerais são profissionais que encontram vagas nesta atividade.

Comércio varejista de materiais de construção

Atendentes e vendedores são funções que encontram oportunidades nesse segmento.

Comércio varejista de mercadorias em geral

Principalmente minimercados e mercearias e armazéns. A atividade emprega caixas, repositores e estoquistas, entre outros profissionais.

 

Fonte: Gazeta Online

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